O futuro é offshore 

A 9ª edição do Brazil Windpower foi encerrada com o debate "Existe futuro para a energia eólica offshore no Brasil?". A moderação ficou a cargo do fundador da Tecsis, Bento Koike, que provocou a plenária a imaginar se alguém, após o esforço de todos os players para consolidar o mercado onshore, imaginaria que novas fronteiras viriam e desta vez em alto mar. E ainda lançou um pedido para a presidente executiva da ABEEólica, Élbia Ganoum: "Após este debate, o que acha de criarmos um novo departamento na Associação voltado para as offshores?"

De acordo com o secretário geral do GWEC, Steve Sawyer, o mercado mundial de geração de energia eólica offshore está praticamente concentrado na Europa. "Hoje há 18GW de capacidade instalada no mundo, sendo 84% dos projetos em sete países europeus,  que respondem por cerca 15GW. Os outros 16% estão espalhados por Taiwan, China, Vietnã, Japão, Estados Unidos e Coréia do Sul", disse em sua apresentação. Ele complementou mostrando que o Reino Unido é o líder mundial de produção offshore, seguido da Alemanha e da China. 

O coordenador do programa de pós-graduação em Engenharia de Produção da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Mario González, mostrou a lista das empresas que lideram a produção eólica offshore. A dinamarquesa Orsted é a maior, com 17% do segmento. Em seguida aparecem, respectivamente, a alemã E.ON (8%), a alemã Innogy (7%) e a sueca Vatenfall (7%). 

González também colocou para o público a divisão do mercado entre os fabricantes de aerogeradores para offshore. Quem está a frente é a Siemens Gamesa, com quase 47% do mercado; seguido pela MHI Vestas, com 21%. A Semvion está em terceiro com 11%.

No Brasil, segundo o engenheiro de equipamentos pleno da Petrobras, Ezequiel Malateaux, já estão avançados os estudos para a implantação de um primeiro projeto.  A empresa concluiu um mapa para medir a capacidade dos ventos no litoral do Rio Grande do Norte e já cumpriu três de seis etapas para a instalação do projeto piloto. "Já fizemos a assinatura de cooperação com as universidades, o projeto conceitual e solicitamos o termo de referência junto ao IBAMA. Falta o licenciamento ambiental, construção e comissionamento, além da operação em si", analisou Malateaux. Os estudos da empresa indicam que os maiores potenciais para exploração de offshores estão nos litorais do Nordeste, Rio de Janeiro e Sul do Brasil.