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Cortes de energia renovável disparam 52,7% em 2026 e expõem paradoxo operacional com térmicas dispendiosas ligadas 

Levantamento inédito da Volt Robotics aponta que 68% do total cortado até setembro é por razão energética, mas questiona a classificação de eventos que ocorrem com PLD elevado e térmicas em operação 



SÃO PAULO, outubro de 2026 — O setor elétrico brasileiro enfrenta situação sem precedentes nos cortes de geração (curtailment) de fontes renováveis variáveis. Entre janeiro e setembro de 2026, o volume de cortes classificados por razão energética (ENE) cresceu 52,7% em comparação ao mesmo período de 2025, saltando para 18,67 TWh. O montante já representa 99% de todo o ENE cortado ao longo do ano anterior, evidenciando uma pressão crescente sobre os ativos eólicos e solares.  

Os dados fazem parte de um estudo técnico e de um conjunto de análises que serão debatidos pelo CEO da Volt Robotics, Donato da Silva Filho, durante a edição de 2026 do Brazil Windpower (BWP), em São Paulo. Segundo o levantamento, o prejuízo acumulado pelos geradores devido às restrições operativas já alcança R$ 15,5 bilhões.  

As categorias e gargalos operacionais 

De acordo com o estudo técnico, os cortes de geração são classificados pelo operador em três grandes frentes operativas, impulsionados por disfunções estruturais do sistema:  

Razão Energética (ENE): Ocorre devido ao desequilíbrio entre a oferta e a carga, refletindo a incapacidade momentânea de alocação da energia disponível. O fenômeno concentra-se em períodos de baixa carga líquida e alta produção de fontes intermitentes, combinando-se com a geração hidráulica mínima.  

Razão Elétrica (REL): Decorre de restrições, gargalos de transmissão ou manutenções em subestações e linhas. Nesses casos, a energia limpa é desperdiçada não por falta de mercado consumidor, mas pela incapacidade física da rede em escoar a produção dos complexos de geração.  

Confiabilidade (CNF): Associada a limites operativos estipulados para preservar a estabilidade, a segurança e a inércia do Sistema Interligado Nacional (SIN) diante de variações bruscas de geração.  

Além das classificações formais, o estudo aponta fatores agravantes como a inflexibilidade termelétrica (unit commitment), que mantém usinas termelétricas em operação para atender rampas de carga, e a expansão da micro e minigeração distribuída (MMGD), que responde por mais de metade do excedente sistêmico (52,43%) sem contar com mecanismos centralizados de corte remoto.  

O paradoxo da sobreoferta e o custo da inflexibilidade 

A principal crítica levantada pelo estudo é a fragilidade metodológica na rotulagem desses eventos. Embora o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) atribua as restrições à sobra de energia, as análises demonstram que cortes significativos coexistem com preços de liquidação (PLD) elevados - em faixas de R$ 200 a R$ 400/MWh ou superiores - e com a operação simultânea de usinas termelétricas custosas.  

Para Donato da Silva Filho, CEO da Volt Robotics, classificar automaticamente essas ocorrências como excesso de energia gera distorções graves no mercado. "Não se pode chamar de sobreoferta energética um corte que ocorre em momentos de PLD elevado e com usinas termelétricas ligadas. Se há térmicas em operação, o sistema está respondendo a uma necessidade de flexibilidade ou a restrições de transmissão, e não a uma abundância pura de energia. Tratar isso como excesso de geração dificulta a identificação da causa raiz e a identificação de uma solução consistente ", aponta Donato.  

O especialista ressalta que o foco do setor tem sido direcionado incorretamente para debates sobre ressarcimento financeiro, em vez de atacar as causas estruturais do problema. "Discutir apenas o ressarcimento cria a falsa impressão de uma conta perpétua e gera insegurança regulatória. O caminho correto exige um 'passo zero' regulatório: estabelecer uma metodologia transparente, auditável e reprodutível para identificar a causa raiz de cada corte", defende. "A partir daí, devemos implementar um plano de ação com metas claras de redução das restrições, espelhando o que países como China, Espanha e Estados Unidos fizeram para mitigar o curtailment", enfatiza o executivo.  

Assimetria entre fontes e impactos na infraestrutura 

O levantamento também aponta que a Energia Vertida Turbinável (EVT) das hidrelétricas possui dinâmica operacional distinta do curtailment eólico e solar. Enquanto 74% dos cortes energéticos em eólicas ocorrem sob condições de baixa carga líquida, apenas 29% dos eventos de EVT hidrelétrico coincidem com esse cenário, provando que as fontes não são equivalentes em termos de flexibilidade e custos.  

Com o avanço das restrições forçando a paralisação ou a operação em regime de baixa inércia das turbinas — o que acelera o desgaste mecânico e eleva os custos de operação e manutenção (O&M) —, o setor reforça a urgência de uma coordenação institucional rigorosa para preservar a competitividade da energia limpa no Brasil. 

Serviço 

Brazil Windpower 2026 

Data: 27 a 29 de outubro de 2026Local: São Paulo Expo – São Paulo (SP) 

Realização: Informa Markets (promotora e organizadora), com co-organização da Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias (ABEEólica) e do Global Wind Energy Council (GWEC). 

Sobre a Informa Markets 

A Informa Markets conecta pessoas e mercados por meio de soluções digitais, conteúdo especializado, feiras de negócios, eventos híbridos e inteligência de mercado, construindo uma jornada de relacionamento e negócios entre empresas e mercados durante todo o ano. Presente em mais de 30 países, atua na América Latina há 30 anos, realizando anualmente mais de 40 eventos híbridos no Brasil e no México, além de eventos digitais, portais de notícias e plataformas de conexão e negócios. 

Sobre a ABEEólica 

A Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias (ABEEólica) é uma instituição sem fins lucrativos que representa a indústria de energia eólica e novas tecnologias no Brasil, reunindo empresas de toda a cadeia produtiva do setor. 

Sobre o GWEC 

O Global Wind Energy Council (GWEC) atua na promoção da energia eólica em todo o mundo, apoiando a abertura de novos mercados e o desenvolvimento da indústria em países como Brasil, China, México, África do Sul e Índia. 

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