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Eólica offshore no Brasil: setor aponta financiamento e escala como pilares para viabilizar os primeiros projetos

Painel do Brazil Windpower 2026 reúne representantes da indústria para debater os desafios e oportunidades do desenvolvimento offshore no país



São Paulo, 28 de outubro de 2026 - O setor de energia eólica offshore identifica no Brasil um potencial expressivo de crescimento, mas destaca que financiamento, escala, qualificação profissional e planejamento estratégico são condições essenciais para viabilizar os primeiros projetos no país. O tema foi discutido no painel "Quanto vale desenvolver a indústria offshore no Brasil?", realizado durante o Brazil Windpower 2026, com mediação de Marcello Cabral, diretor de Novos Negócios da ABEEólica.

Para Marco Wobeto, diretor-geral da Mingyang para as Américas, a atividade offshore tem potencial para impulsionar a indústria nacional e reativar cadeias produtivas estratégicas, como a dos estaleiros. "Um projeto, por si só, não viabiliza uma indústria nova. É preciso ter uma perspectiva de projetos exequíveis e de longevidade do mercado", afirmou o executivo.

Ricardo Couto, gerente de Desenvolvimento de Novos Negócios da Qair Brasil, apresentou como exemplo o projeto Dragão do Mar, de 1,2 GW, localizado no Ceará, que mobilizou 77 profissionais e mais de 1.320 horas de entrevistas para a realização de estudos socioambientais. "A quantificação vai muito além do megawatt", destacou, ressaltando a complexidade e o impacto social desse tipo de empreendimento.

Já Lucas Barbosa, head de Energia e Consultoria Marítima do Consulado da Dinamarca, apontou o financiamento como um dos principais desafios para o avanço do setor no país. "Será necessária uma estrutura de receita em que o banco aceite o risco", afirmou. Segundo ele, o Brasil reúne condições para se tornar um polo regional da indústria offshore, desde que essas barreiras sejam superadas.

Encerrando as participações, Adriano Gouveia, da área de Engenharia de Operação da Neoenergia, defendeu a importância de investimentos antecipados em pesquisa e inovação como caminho para consolidar o setor. "Além dos projetos-piloto, é importante pensar em inovação de processos, métodos e equipamentos", disse.

O debate reforça o momento de maturação pelo qual passa a eólica offshore no Brasil, com o setor buscando alinhar visão de longo prazo, capacidade técnica e instrumentos financeiros adequados para transformar o potencial do país em projetos concretos.

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