EPE recebe 601 projetos para leilão de armazenamento em baterias, somando quase 300 GW de potência
Painéis no Brazil Windpower 2026 discutem volume de propostas para o LRCAP e avanços no edital, mas apontam incertezas regulatórias que ainda preocupam investidores
São Paulo, 29 de outubro de 2026 - A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) recebeu 601 projetos para o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP), dos quais 580 combinam energia solar e sistemas de armazenamento em baterias. A informação foi divulgada por Gustavo Ponte, superintendente de Geração de Energia da EPE, durante painel realizado nesta quinta-feira (29) no Brazil Windpower 2026. Juntos, os empreendimentos cadastrados somam quase 300 GW de potência.
Segundo Ponte, o planejamento energético nacional aponta a necessidade de 7 GW em baterias até 2036, além de outras soluções voltadas a atender à crescente demanda por capacidade e flexibilidade do sistema elétrico, como usinas reversíveis e mecanismos de resposta da demanda. O resultado do leilão, previsto para dezembro, deverá ajudar a EPE a calibrar os custos considerados nos próximos estudos de planejamento do setor.
Tiago Correia, sócio-diretor da RegE Consultoria, destacou o potencial de expansão do armazenamento diante da crescente necessidade de flexibilidade do sistema elétrico e da contínua redução dos custos da tecnologia. Além do LRCAP, os participantes do painel apontaram outras oportunidades para o uso de baterias, como em projetos de transmissão, sistemas isolados e instalações associadas à geração renovável.
Em painel complementar, moderado por Markus Vlasits, presidente da Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (ABSAE), foram debatidos os ajustes promovidos no edital do primeiro Leilão de Reserva de Capacidade voltado a sistemas de armazenamento por baterias. Segundo Tiago Correia, o documento trouxe avanços importantes para os empreendedores, como a autorização para participação de agentes de transmissão, a retirada de restrições a consórcios e fundos de investimento, e a revisão dos valores de referência utilizados no cálculo de garantias e penalidades. Para o especialista, esses ajustes reduziram riscos e ampliaram as condições de competição no certame.
Apesar dos avanços, o debate também evidenciou incertezas regulatórias que ainda podem afetar novos investimentos no setor, além dos limites atuais dos modelos de negócio para baterias associadas a usinas renováveis. Os participantes destacaram que o resultado do primeiro leilão poderá ajudar a identificar os custos reais da tecnologia e orientar o aperfeiçoamento dos próximos certames voltados ao armazenamento de energia no Brasil.



