Inteligência artificial avança na operação eólica, mas supervisão humana segue insubstituível, aponta painel da ABEEólica
Tecnologia já permite antecipar falhas e reduzir custos, mas setor enfrenta desafios de conectividade, qualidade dos dados e qualificação profissional
São Paulo, 28 de outubro de 2026 - A inteligência artificial (IA) já está transformando a forma como os parques eólicos são operados e mantidos, permitindo antecipar falhas, reduzir custos e aumentar a vida útil dos equipamentos. No entanto, a tecnologia ainda depende da supervisão humana e enfrenta desafios relacionados à infraestrutura e à qualidade dos dados disponíveis. O tema foi debatido em painel promovido pela ABEEólica, mediado por Rynaldo Zanotele Hemerly de Almeida, do IPT, que reuniu representantes da Neoenergia, Flender Brazil e ARTHWIND.
Adriano Gouveia, da Neoenergia, apresentou uma iniciativa da empresa que automatiza o reinício de aerogeradores e o acionamento de equipes de campo, otimizando a resposta a falhas operacionais. Segundo ele, a incorporação da IA também está transformando o perfil dos profissionais do setor. "A gente vai deixar de ter um operador que executa comandos e passa a ser mais analítico, avaliando as informações da IA para tomar decisões", afirmou.
Diego Colicchia, diretor-geral da Flender Brazil, destacou o uso de algoritmos para antecipar problemas em componentes dos aerogeradores, evitando paradas inesperadas e otimizando a manutenção preditiva. Apesar dos avanços tecnológicos, o executivo reforçou o papel central do profissional especializado nesse processo. "O especialista continua sendo o pilar dessa análise. A avaliação humana é insubstituível", afirmou.
Já Armando Costa Rego, fundador e CEO da ARTHWIND, apresentou aplicações de IA voltadas à inspeção de pás eólicas por meio de drones. Segundo o executivo, a tecnologia já é capaz de identificar cerca de 70% dos defeitos internos severos nas pás, embora ainda enfrente limitações relacionadas à diversidade dos equipamentos existentes no mercado e à classificação precisa das falhas identificadas.
Durante o debate, os participantes também apontaram dificuldades de conectividade em parques eólicos brasileiros como um obstáculo relevante para a plena implementação dessas tecnologias, além de reforçarem a necessidade de investir na formação e qualificação de profissionais para atuar nesse novo cenário. Para os próximos anos, a expectativa do setor é de avanço da IA embarcada diretamente nos equipamentos, ampliando a automação e a capacidade de análise em tempo real — sem, no entanto, eliminar a importância da decisão humana nesse processo.



