Especialistas alertam para a urgência na formação de mão de obra qualificada para o setor eólico no Brasil. Veja os desafios e soluções apontados.
Painel no Brazil Windpower 2026 destaca necessidade de antecipar capacitação profissional diante do crescimento acelerado da energia eólica no país
São Paulo, 29 de outubro de 2026 - A formação de profissionais qualificados para o setor eólico precisa começar anos antes da chegada de novas tecnologias ao mercado brasileiro. O alerta foi feito por Marco Antonio Juliatto, representante do Ministério de Minas e Energia (MME), durante painel sobre capacitação realizado nesta quinta-feira (29) no Brazil Windpower 2026. Segundo ele, processos como a revisão de currículos acadêmicos, a preparação de professores e a estruturação de laboratórios podem levar de cinco a dez anos para serem concluídos, o que cria risco real de escassez de mão de obra caso as demandas futuras do setor não sejam antecipadas com a devida antecedência.
Na abertura do painel, a moderadora Carolina, representante da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), apresentou um panorama do setor no país: atualmente, há 36,3 GW em parques eólicos em operação ou em fase de testes, distribuídos em cerca de 1.170 parques e totalizando mais de 12 mil aerogeradores instalados. Diante desses números, Juliatto reforçou a necessidade de preparar profissionais para atender a novas demandas tecnológicas, como armazenamento de energia em baterias, uso de drones, processamento de dados e o avanço de projetos eólicos offshore. Segundo o representante do MME, a formação profissional também deve incorporar temas como licenciamento ambiental, sustentabilidade e relacionamento com comunidades locais.
Representando a Vestas Academy LATAM, Maycon de Souza Silva apresentou avanços concretos obtidos pela empresa na otimização dos processos de capacitação: o período de formação inicial de técnicos foi reduzido de oito para cinco semanas, enquanto o tempo médio de reciclagem profissional caiu de três semanas para apenas uma. Já Thomas Redmond, da Global Wind Organisation (GWO), ressaltou a importância de alinhar os padrões internacionais de certificação às exigências específicas do mercado brasileiro, alertando que a certificação, por si só, não substitui a avaliação das competências necessárias para a execução de tarefas específicas no campo.
Ao final do painel, os participantes defenderam maior integração entre empresas do setor, instituições de ensino e poder público como caminho essencial para antecipar as necessidades de capacitação e garantir a sustentabilidade do crescimento da energia eólica no Brasil.



