Planejamento e diálogo com comunidades são apontados como pilares para o avanço da eólica offshore no Brasil
Painel no Brazil Windpower 2026 discute necessidade de coordenação entre setores e engajamento antecipado com populações costeiras
São Paulo, 29 de outubro de 2026 - O desenvolvimento da energia eólica offshore no Brasil precisa considerar os diferentes usos do mar e envolver as comunidades desde as etapas iniciais dos projetos. O tema foi debatido no painel "Participação, diálogo e valor compartilhado no desenvolvimento das eólicas offshore", realizado nesta quinta-feira (29) no Brazil Windpower 2026.
Alexandre Gross, representante do WWF-Brasil, defendeu maior participação do Estado no planejamento e na coordenação entre diferentes setores envolvidos na expansão da energia offshore. "A gente precisa de uma presença estatal muito forte, de planejamento e coordenação entre diversas áreas e setores, para além da energia", afirmou.
Ricardo Voivodic, do Ministério do Meio Ambiente (MMA), destacou que o planejamento espacial marinho pode antecipar conflitos entre empreendedores, pescadores, comunidades tradicionais e outros usuários do mar. Segundo ele, o processo de licenciamento ambiental não deve concentrar isoladamente a responsabilidade por resolver questões que poderiam ser identificadas e tratadas previamente, em etapas anteriores do planejamento.
Lisandra Matos, do Stockholm Environment Institute (SEI), compartilhou experiências vividas na Escócia e ressaltou que compensações financeiras pontuais não substituem o diálogo contínuo com as comunidades afetadas pelos projetos. "Os projetos de maior sucesso em que trabalhei foram justamente aqueles que fizeram esse engajamento com os pescadores com antecedência", destacou.
Moderado por Solange David, da Women in Energy – CIGRE International, o painel contou ainda com a participação de Rita Alves e Silva, do Ministério de Minas e Energia (MME), e reforçou a importância de conciliar a expansão da geração renovável com a proteção ambiental e a preservação dos meios de subsistência das populações costeiras.



