Ruído em parques eólicos exige análise técnica além de distâncias fixas, aponta painel do Brazil Windpower 2026
Especialistas defendem avaliações caso a caso, participação social e aprimoramento das normas técnicas para equilibrar desenvolvimento eólico e bem-estar das comunidades
São Paulo, 28 de outubro de 2026 - Distâncias fixas entre aerogeradores e residências não são suficientes para avaliar adequadamente os ruídos gerados por um parque eólico. É o que defende Jarbas Amaro, da Auren, para quem os estudos acústicos precisam considerar variáveis como o relevo, o regime de ventos, as características técnicas dos equipamentos e a percepção dos moradores da região. "O som não respeita raios fixos", afirmou.
A discussão ocorreu no painel "Conectando conhecimentos técnicos de ruídos com o viés social", realizado durante o Brazil Windpower 2026, com mediação de Krisdany Cavalcante, do dB Laboratório de Acústica, e participação de Marco Antônio M. Vecci, da UFMG.
Durante o debate, Adroilzo Fonseca, secretário de Meio Ambiente da Paraíba, comentou a discussão em curso no estado sobre a distância mínima entre torres eólicas e residências. Para ele, é fundamental que o tema seja compreendido pela população diretamente afetada. "Essa discussão precisa chegar às pessoas. As comunidades precisam entender o que está sendo discutido", afirmou o secretário.
Já José Anchieta, presidente da CPRH/PE, apresentou a experiência de Pernambuco, estado que desenvolveu uma instrução normativa própria após um processo de escuta que envolveu comunidades, especialistas e empreendedores do setor. "O melhor empreendimento é aquele de que a comunidade se apropria", ressaltou Anchieta, destacando a importância do engajamento social na construção de regras mais eficazes.
Os participantes do painel discutiram ainda outras frentes relevantes para o tema, como o isolamento acústico de residências próximas aos parques eólicos, o monitoramento contínuo dos níveis de ruído e a necessidade de aprimorar as normas técnicas vigentes. O consenso entre os especialistas foi de que as avaliações devem ser feitas caso a caso, levando em conta as particularidades de cada região, e sempre com a participação ativa das comunidades envolvidas no processo.



