"Não está sobrando energia; está faltando flexibilidade", aponta debate sobre sobreoferta no BWP 2026
Painel reuniu representantes de CPFL, Engie, Elera Renováveis, Atlas Renováveis e Auren para discutir causas dos cortes de geração e caminhos para ampliar o aproveitamento das fontes renováveis
São Paulo, Outubro de 2026 - A sobreoferta de energia e os cortes de geração foram tema do painel "Desmistificando conceitos: o que é sobreoferta de energia?", realizado no Brazil Windpower 2026. Mediado por Donato Filho, CEO da Volt Robotics, o debate reuniu representantes da CPFL, Engie, Elera Renováveis, Atlas Renováveis e Auren para discutir as causas dos cortes, seus impactos sobre os investimentos e as medidas necessárias para ampliar o aproveitamento das fontes renováveis.
Segundo Donato, os cortes associados à sobreoferta aumentaram mais de 52,7% em 2026. Para ele, o problema não deve ser interpretado simplesmente como excesso de geração, mas como uma limitação da capacidade do sistema de absorver a energia disponível. "Não está sobrando energia; está faltando flexibilidade", afirmou, ao destacar que os cortes ocorrem de maneira desigual entre as regiões brasileiras e exigem uma análise mais precisa de suas causas.
O debate também apontou a necessidade de aprimorar a infraestrutura elétrica, aperfeiçoar a regulamentação e estabelecer critérios transparentes para classificar e distribuir os cortes entre as diferentes fontes de geração.
Ressarcimento e classificação dos cortes
A previsibilidade regulatória e a segurança dos investimentos estiveram entre os principais pontos discutidos no painel. Para Manoel de Andrade, diretor de Desenvolvimento de Novos Negócios da Atlas Renováveis, a tomada de decisão sobre novos projetos é influenciada por um conjunto de fatores, que inclui o volume, a classificação e a distribuição dos cortes, as mudanças nas regras e os custos associados. Entre eles, o volume de energia cortada é a maior preocupação.
Rodolfo Coli, diretor de Regulação e Gestão de Portfólio da CPFL Brasil e CPFL Renováveis, destacou a importância de classificar corretamente os cortes para que o setor avance. Segundo ele, cerca de 70% dos cortes são de natureza energética, o que reforça a necessidade de aperfeiçoar os critérios utilizados na operação do sistema.
O executivo também apontou a regulamentação, especialmente a Consulta Pública 45, e o ressarcimento como questões urgentes. A definição de regras mais claras e mecanismos de compensação é fundamental para reduzir incertezas, preservar a atratividade dos projetos e permitir a expansão sustentável das fontes renováveis no país.
Infraestrutura e flexibilidade na energia renovável
A ampliação da geração renovável exige mudanças na operação do sistema elétrico para que a energia produzida possa ser efetivamente aproveitada. Francisco Galvão, VP de Operações da Elera Renováveis, destacou que os cortes atingem cerca de 30% da geração solar e 25% da geração eólica, evidenciando a dimensão do desafio para o setor.
O executivo ressaltou que o sistema precisa conciliar a operação das fontes hidráulicas e térmicas com o controle da geração renovável, considerando também a necessidade de serviços que contribuam para a estabilidade e o controle de frequência. Para ele, a solução passa por investimentos em infraestrutura e pela revisão da forma como os cortes são realizados.
"Hoje, não há sobra de energia, mas sim a necessidade de controlar a energia, com flexibilidade", afirmou Galvão. O debate apontou que o enfrentamento do problema depende não apenas de medidas imediatas, mas também de mudanças estruturais na operação e no planejamento do sistema, capazes de ampliar a integração das fontes renováveis e reduzir o desperdício de energia disponível.



