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Rumo à COP 30: As Contribuições do Setor Eólico para a Agenda Climática Brasileira


Brasil parte em posição de vantagem na transição energética, afirma Elbia Gannoum

Durante o painel “Rumo à COP30: contribuições do setor eólico para a agenda climática”, realizado nesta quinta-feira (30/10) no Brazil Windpower 2025, a presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias (ABEEólica), Elbia Gannoum, destacou que o Brasil parte de uma posição privilegiada para enfrentar os desafios da transição energética.

Segundo Elbia, o país construiu ao longo de mais de um século uma matriz elétrica 99% interligada e com 99,9% de atendimento da população, resultado de políticas como os programas Luz no Campo e Luz para Todos. “Enquanto o mundo ainda enfrenta o desafio de levar energia limpa às comunidades e ao setor produtivo, o Brasil já superou essa etapa e parte de uma posição confortável do ponto de vista social”, afirmou.

A executiva também ressaltou a importância de o país encarar a discussão sobre o papel do petróleo e do gás natural na economia global. “Não dá para fingir que eles não são relevantes. A transição exige diálogo, aprendizado e posicionamento — e é isso que esperamos da COP30: mostrar o Brasil no lugar que ele merece, mas também com realismo sobre nossos desafios”, disse.

Entre esses desafios, Elbia apontou a dimensão social da transição energética, tema que tem sido trabalhado pela ABEEólica e que será abordado em novas iniciativas do setor. Ela reforçou ainda a necessidade de integrar adaptação e mitigação às políticas climáticas. “Não dá mais para pensar apenas em mitigar. A temperatura do planeta já atingiu níveis que exigem adaptação — e isso tem custo. Precisamos encarar o tema de frente”, declarou.

Encerrando sua fala, a presidente da ABEEólica defendeu que a transição energética seja vista como uma grande oportunidade de negócios. “O desafio climático pode e deve ser um bom negócio. O mundo precisa entender que fazer a transição energética é rentável — e quando isso se consolidar, teremos dado um passo decisivo para vencer o desafio do clima”, concluiu.

Brasil precisa transformar protagonismo em liderança global, afirma Thiago Tomazzoli

Durante o painel “Rumo à COP30: contribuições do setor eólico para a agenda climática”, no Brazil Windpower 2025, o diretor-presidente da Statkraft Brasil, Thiago Tomazzoli, afirmou que o Brasil ocupa posição de destaque na transição energética global, mas precisa avançar para consolidar uma liderança efetiva.

“Somos um dos poucos países que combinam escala, diversidade e baixas emissões. Já temos um diferencial competitivo real, mas o desafio agora é transformar esse protagonismo em liderança”, destacou.

Segundo o executivo, a integração inteligente entre as diferentes fontes de geração é um dos pilares para esse avanço. “Precisamos construir previsibilidade e utilizar as fontes de forma mais eficiente, evitando desperdícios e garantindo estabilidade na oferta de energia”, afirmou.

Tomazzoli ressaltou que a Statkraft tem como missão global "renew the way the world is powered" e vem ampliando sua presença no Brasil com investimentos consistentes. “Nos últimos cinco anos, investimos cerca de R$ 10 bilhões em projetos que somam mais de 1,7 GW em fontes eólicas, solares e hídricas. Nosso foco agora é operar com estabilidade e eficiência, capturando novas oportunidades e entregando energia renovável com menor desperdício”, concluiu.

Armazenamento e redes são fundamentais para a estabilidade do sistema elétrico, afirma João Brito Martins

Durante o painel “Rumo à COP30: contribuições do setor eólico para a agenda climática”, no Brazil Windpower 2025, o CEO da EDP Brasil, João Brito Martins, destacou que o avanço da transição energética depende de um sistema elétrico mais flexível, estável e preparado para integrar volumes crescentes de energia renovável.

“O curtailment é um desafio crescente, não apenas no Brasil, mas em vários mercados. Ele evidencia a necessidade de investir em redes e em armazenamento para garantir resiliência e eficiência”, afirmou.

Segundo o executivo, as redes de transmissão e distribuição devem ser vistas como viabilizadoras da transição energética e assumir um papel cada vez mais ativo na operação do sistema, especialmente diante do aumento da geração distribuída e da imprevisibilidade do consumo. “A rede é o que garante a estabilidade física e financeira do setor. Sem ela, não há como expandir de forma sustentável”, disse.

Martins defendeu que o armazenamento de energia será um elemento-chave dessa nova estrutura. “É o que vai garantir segurança, resposta rápida e equilíbrio entre oferta e demanda. O Brasil ainda está começando, mas veremos projetos em escala nos próximos meses, à medida que a regulação evolua e crie incentivos adequados”, afirmou.


O executivo destacou ainda a importância de uma regulação estável e de mecanismos de precificação adequados, que incentivem o consumo inteligente e a eficiência do sistema. “Precisamos de estabilidade regulatória para assegurar o retorno dos investimentos e de políticas que estimulem o deslocamento da demanda em horários de pico. Assim teremos um sistema menos estressado, mais eficiente e preparado para crescer com renováveis”, concluiu.

Eletrificação e digitalização das redes são decisivas para a transição energética, avaliam especialistas

Durante o painel “Rumo à COP30: contribuições do setor eólico para a agenda climática”, no Brazil Windpower 2025, a diretora executiva de Renováveis da Neoenergia, Laura Porto, destacou que a eletrificação e a digitalização das redes serão determinantes para o avanço da transição energética no Brasil.

Segundo a executiva, é essencial garantir a expansão da infraestrutura elétrica e investir na qualificação de profissionais para acompanhar a transformação tecnológica do setor. “A transição energética exige capacitação em novas tecnologias, e temos apostado fortemente na inclusão feminina e multirracial para construir uma liderança mais diversa e preparada”, afirmou.

Ela também ressaltou a necessidade de acelerar a implantação de sistemas de armazenamento e redes digitalizadas, que aumentam a eficiência e reduzem vulnerabilidades do sistema elétrico. “A digitalização será fundamental para garantir eficiência e estabilidade”, destacou.

Ao comentar a fala, Roberta Cox, Policy Director do Global Wind Energy Council (GWEC), reforçou o papel do investimento privado e da cooperação entre empresas e governos. “As empresas estão acreditando no Brasil, investindo e empregando pessoas. A transição não é uma troca simples de combustível, mas um processo contínuo de ajustes e soluções, que nos levará à excelência dos sistemas energéticos”, afirmou.

Com presença em 18 estados e uma matriz 80% renovável, a Neoenergia tem ampliado investimentos em redes, geração e projetos de engenharia verde como parte de sua estratégia para impulsionar a descarbonização do país.

Nota 30 - Eletrificação da economia e estímulo à demanda por energia limpa são caminhos para a nova industrialização verde

Durante o painel “Rumo à COP30: contribuições do setor eólico para a agenda climática”, no Brazil Windpower 2025, o diretor-presidente da EDF Power Solutions, André Salgado, defendeu que o Brasil precisa avançar na eletrificação da economia e no estímulo à demanda por energia renovável para consolidar uma nova fase de industrialização verde.

Segundo o executivo, o país vive um momento de sobreoferta conjuntural de energia, mas possui condições únicas para transformar esse cenário em oportunidade. “A responsabilidade da transição energética passa também por incentivar nossos clientes — a indústria, a mobilidade elétrica — a demandar mais energia de fontes limpas. É preciso aumentar o consumo de eletricidade renovável para fortalecer a descarbonização e atrair novos investimentos”, afirmou.

Ele destacou que o Brasil reúne vantagens competitivas para receber data centers, projetos de hidrogênio verde e novas indústrias intensivas em energia, capazes de gerar produtos com maior valor agregado. “Temos potencial para atrair uma nova indústria verde, produzindo aço verde, combustíveis sustentáveis para aviação, amônia e fertilizantes, ampliando nossa participação nas cadeias globais de baixo carbono”, disse.

Salgado também ressaltou o impacto socioeconômico da energia eólica, que hoje responde por 36 GW de potência instalada e possui 80% de nacionalização da cadeia produtiva. “Grande parte dos parques está localizada em regiões de baixo desenvolvimento humano, onde a eólica gera emprego, renda e reativa a economia local. É um vetor de inclusão e crescimento regional”, completou.

Comentando a fala, Laura Porto, diretora executiva de Renováveis da Neoenergia, concordou que a demanda é a solução estrutural da transição energética. “A eletrificação da economia precisa caminhar junto com inovação, redes inteligentes e atualização tecnológica. Esse é o salto que o setor eólico pode impulsionar: transformar o Brasil de exportador de energia bruta em produtor de soluções verdes e de alto valor agregado”, afirmou.

 

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